Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Para Si

Às vezes acordamos e a vida parece uma grande manhã de Dezembro em Sintra. Só vemos nevoeiro. Tudo o que está à nossa frente é nevoeiro.

 

Ainda não percebi muito bem o que se está a passar com ela, mas deve ser assim que se está a sentir agora. Há qualquer coisa que se me escapou entre os dedos e as minhas ausências. Seja lá o que for, ela sabe que pode contar comigo, porque já não sou nenhuma miúda.

 

Esta malta dos blogs é assim. É tudo gente marada. Uns desaparecem do mapa, outros do país, outros matam-se a trabalhar... Mas eu que falo por mim, estou aqui. Por entre a distância, ficam coisas por fazer. Felizmente temos os telemóveis, e criámos os blogues. Para estarmos mais perto. Sempre, ou quase sempre contactáveis, updates constantes e imediatos, ou quase, das nossas vidas. E quando mais precisamos alguém nos envia uma injecção de força virtual (mas muito real).  Ela já o fez por mim, não assim há tanto tempo atrás. Hoje faço-o eu por ela.

 

Os nossos mestres acompanham-nos toda a vida. Nos bons e maus momentos. Até eles terem um mau momento. E aí, por respeito, amizade e admiração, propomo-nos a pilares, portos de abrigo. E é aí que eles descobrem que são os nossos mestres e a importância que têm nas nossas vidas.

 

A primeira vez que a vi tinha 15 anos. Tinha tido um bom verão e estava apaixonada. Tinha encontrado a minha alma gémea, o normal! para quem tem 15 anos. Também foi ela que veio a mudar o meu mundo e a minha visão sobre todas essas tretas. Tinha o nome mais bonito do mundo, o da minha mãe.

Entre as primeiras coisas que a ouvi dizer, há uma que me está fotográficamente gravada na memória. Com a maior calma e desprendimento deste mundo e do outro:

 

"E se nós não estivessemos aqui? E se estivessemos todos a ter o mesmo sonho ao mesmo tempo? Isto chama-se histeria colectiva."

 

Não, não é louca. Foi mesmo para lançar o pânico entre 25 putos ignorantes e inexperientes de 15 anos. Nesse mesmo dia aprendi uma palavra que por mais incrível que pareca nunca tinha ouvido na vida: "deveras". Continua a ser uma das minhas palavras preferidas e só não a digo mais porque na verdade no meu dia-a-dia propriamente dito, pouco falo português.

 

Nunca ouvi ninguém dizer tão correctamente do ponto de vista da língua portuguesa as palavras "cena" e "tipo".

 

Dois anos depois consegui chocá-la e ainda me lembro da primeira vez que falei com ela sobre isso. Penso que foi aí que ela começou a ver que havia qualquer coisa viva aqui dentro de mim.

 

Não me esqueço também quando no baile de finalistas da D. João a puxei por um braço e lhe disse, tem que vir conhecer a minha familia. Ela olhou para todos com um sorriso amarelo e foi-se embora. Na altura fiquei tão magoada... mas depois passou. Tudo passa.

 

Passei uns bons 3 anos a encontrar-me, perdida e desaparecida por Lisboa e afins. Durante algum tempo arrependi-me desse tempo que me afastei de todos eles. Mas agora não me arrependo mais. Com tudo se aprende. E o que tem quer ser, é. Quem tem que ficar junto, fica. E tivemos a prova no último ano que é verdadeiramente assim que as coisas acontecem.

 

E depois chocou-me ela. Voltou com a notícia de que estava a escrever um livro e que ia ser publicado e que era de poesia!! Imagine-se!! Aquela do sorriso amarelo, que virou as costas às minhas madrinhas no baile de finalistas tinha escrito um livro. E era de poesia!!! Só acreditei quando vi. 

 

Perto dela sinto-me bem. Seja no meio das madeiras no primeiro andar do Tasco ou nos sofás da Estalagem (que ainda havemos de explorar melhor!...). Adoro a maneira como descreve as "cenas", com uma energia contagiante. Como fala do Sócrates ou das últimas cenas que se passam na política. Como ri às gargalhadas entre dois pistachos. Como os seus olhos brilham quando nos reencontramos depois de meses sem nos vermos. Como praticamente choramos a rir quando nos lembramos da outra que perguntava "cenas" do "tipo": "Se o homem foi à lua, por onde é que entrou?"... Oh Meu Deus!

 

Ao ler este post qualquer pessoa pode pensar, como é que é possível gostar e admirar tanto uma pessoa assim, com tal personalidade? Sim. Sim seria mais fácil gostarmos e sermos amigos de pessoas simples e fáceis. Mas as nossas vidas não são assim, nem simples nem fáceis. É por isso que somos únicas, importantes e especiais. Eu e ela.

 

Joana

 

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publicado por Joana Ramalhinho às 20:32
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1 comentário:
De beatriz j a a 6 de Outubro de 2009 às 17:35
ohhh... a Joana é tão querida. Não faz ideia de como as suas palavras são importantes.
Mas essa cena da sua família no baile...tem a certeza? LOl Mas eu às vezes devo ser muito estúpida sem dar por isso lol. Não me lembro nada disso. Que horror! Estou chocada comigo própria. E a ideia de a ter magoado é terrível. Foi por causa de si (e do mário) que fui ao baile. Enfim.. é verdade que levei algum tempo a olhar para si com olhos de ver, mas isso teve muito a ver com a utilização obsessiva do telemóvel na aula... não me lembro de falarem histeria,mas lembro da cena 'e se isto fosse um sonho' lol etambém 'o que é uma cadeira' duplo LOL

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